As tarifas lançadas pelo atual Presidente dos EUA, contra praticamente todo o mundo, são uma das faces da estratégia que visa colocar os EUA no centro da política mundial.
O choque económico atualmente em curso, parece ter como objetivo a redefinição de todo o comércio mundial, forçando a centralização da produção industrial em países como os EUA.
As tarifas visam atacar diretamente países do continente asiático, responsáveis por grande parte da produção industrial mundial.
O Afastamento da direita americana
A União Europeia não é democrática.
Esta afirmação pode parecer controversa aos olhos de muitos, mas é atualmente uma das razões do afastamento de uma parte da direita Norte Americana da Europa e das elites Europeias.
Esta mesma direita que em grande parte apoia Donald Trump, encontra na Federação Russa um ideal de valores tradicionais, com os quais se identifica; É aqui irrelevante que esta ideia da Rússia de valores tradicionais e patrióticos, corresponda à realidade, o importante é o controlo desta narrativa, até porque a Rússia é tão grande em dimensão e tão pouco conhecida, que pode representar quase tudo o que assim o desejarmos.
Este movimento de aproximação ideológica à Rússia é em tudo semelhante ao movimento que a esquerda fazia no tempo da União Soviética, ao imaginário comunista.
O centralismo da economia Europeia
A resposta da União Europeia a crise financeira de 2008 e a pandemia do COVID-19, foi uma série de estímulos financeiros à economia sobre a forma de programas plurianuais de compra de instrumentos financeiros dos países da zona euro.
No dia a dia das populações esta injeção de liquidez na economia acontece sobre a forma de programas de apoio ao investimento, a concorrerem diretamente com financiamento de organismos públicos, normalmente associados a contratação pública e investimentos em equipamentos.
A resposta de Bruxelas quer no plano económico, quer no plano social, têm sido o de um controlo apertado de despesas e de fluxos financeiros para financiamento da economia; O objetivo é o de manter a inflação na zona euro em valores relativamente baixos.
Um poder regulatório forte têm sido decremental para uma dinamização do comércio comunitário, representado um custo económico para as empresas e famílias, mesmo quando se tenta justificar as opções como problemas de segurança e ou/concorrência.
Uma esquerda vítima dos seus sucessos
O esgotamento do apoio a forças políticas mais a esquerda do espectro político, muito visível nas ultimas eleições Portuguesas, acontece após um processo de desindestrualizacao das economias ocidentais, seguido de um processo de financialização destas economias para compensar a perda de postos de trabalho.
Atualmente as classes trabalhadores tornaram-se um custo demasiado elevado face a uma mão de obra migrante, que se sujeita a condições de trabalho dificeis, tendo em conta o mundo que muita desta gente deixa para trás; O Pesadelo de uns é o sonho de outros.
O El Dorado das classes trabalhadoras, com regalias sociais e aumentos salariais nunca antes visto, foi uma resposta notável ao processo de desindestrualização ocidental; No entanto tudo o que é bom, acaba depressa.
As consequências destes acontecimento são mais ou menos previsíveis, e não acho que estejamos preparados para elas.
Novos aliados em formação?
As semelhanças são grandes com os acontecimentos de início do século XX na Europa.
O continente asiático, o médio oriente, a Europa oriental e mesmo o continente sul americano encontram-se sobre grande convulsão, mesmo quando essas movimentações aparecem sobre a forma de grandes investimentos dos grandes países.
As potências degladiam-se e posicionam-se para controlarem vias de comunicacao, acesso a recursos naturais e áreas de influência.
A extensão destas movimentações é ao longo de todo o planeta, colocando pressão na capacidade destas potências conseguirem projetar força sem comprometerem integridade territorial.
Nos próximos anos e décadas estas movimentações vão levar ao aparecimento de novos pontos de conflito, seja ao reacendimento de antigos, seja diretamente pelas partes beligerantes, seja através de proxies.
O mundo, a Europa e Portugal, preparam-se para tempos conturbados, onde o direito internacional vai ser secundarizado em conflitos militares de diversas ordens;
Num mundo em conflito, a noção de aliados pode ser muito limitada ás circunstancias de cada momento.
