Sergey Karaganov, um cientista político Russo de 73 anos, próximo de Putin e sancionado pela UE desde junho de 2023, é dirigente do Conselho de Política Externa e de Defesa, da Federação Russa, deixa muito claro o pensamento de algumas das elites próximas a Putin, sobre as suas intenções para a Ucrânia e para a Europa.
Um afastamento da Federação Russa do ocidente; uma aparente negação da matriz europeia da Rússia, o fortalecimento das relações com países asiáticos.
Este autor defende mesmo ataques de natureza nuclear contra a capital ucraniana, assim como ataques da mesma natureza contra cidades Europeias, para conter o que ele considera ser o problema do apoio da NATO à Ucrânia, e a ameaça que ela representa para a Federação Russa.
De forma clara no discurso e nos métodos utilizados, a Ucrânia não tem margem para negociações;
A Ameaça Nuclear Russa
As tentativas de enquadrar a Federação Russa dentro da arquitetura de segurança Europeia, ou seja da NATO, falharam.
Harald Kujat é um general de 4 estrelas da Força Aérea alemã. Atualmente reformado, serviu como Chefe das Forças Armadas Alemãs (Bundeswehr) entre 2000 e 2002, e como Presidente do Comité Militar da NATO, entre 2002 e 2005.
Acusado de posições pró-Rússia, encontra 2 pontos de inflexão na relação daquele pais com o ocidente, nomeadamente os EUA.
Num primeiro momento aponta como causa da presente situação, o fim da Guerra Fria. A Federação Russa procurou maior aproximação à NATO como resposta aos seus próprio problemas de segurança, procurando mais equilíbrio nas forças no terreno, entre NATO e Rússia, assim como zonas tampão para conter possíveis conflitos.
- O fim do Tratado ABM (Misseis Anti Balísticos) em 2002;
- Em 2008 George W Bush na Cimeira de Bucharest, extende o convite à Geórgia e Ucrânia para serem membros da NATO; Convite esse que falha;
Um vizinho incomodo
A Operação Militar Especial da Federação Russa na Ucrânia, vêm na sequência de outras operações militares contra regiões vizinhas daquele pais, desde a queda da União Soviética em 1991. Alguns exemplos;
- Guerras Tchetchenas entre 1994 e 1996;
- Guerra Russo-Georgiana inicialmente entre 1991 e 1992 (Guerra da Ossétia do Sul) e depois em agosto de 2008;
Para muitos dirigentes próximos de Putin, esta é uma guerra necessária para conter os avanços permanentes do ocidente, e que colocam em causa os interesses Russos na região.
A Federação Russa aumenta a sua política de ameaças, com exercícios conjuntos com a Bielorrússia, onde mantêm estacionados um importante arsenal nuclear, mesmo na fronteira com a Polónia.
Europa um alvo declarado
Numa entrevista a Glenn Diesen de 10/05/2026 (Sergey Karaganov) declara abertamente a sua hostilidade para com o ocidente no geral e a Europa em particular.
Os dirigentes Europeus, do Ocidente, e de grande parte dos países do mundo, assumiu desde o inicio do conflito na Ucrânia, uma posição contra a invasão.
Para o autor as próximas fases da guerra contra a Ucrânia passam por um ataque contra Kiev, primeiro com armamento convencional e depois com armas de natureza nuclear;
Numa segunda fase o autor fala claramente em ataques nucleares contra alvos militares ou com pouco valor estratégico, de países Europeus.
A resposta Europeia
Após a invasão da Ucrânia a 28 de fevereiro de 2022, os países da Europa e do ocidente alargado, têm reforçado militarmente aquele pais.
A autonomia militar da Ucrânia, com capacidade de infligir danos consideráveis na Federação Russa e na sua economia, deixa a Europa como resposta de ultimo recurso por parte da Rússia.
O que pode estar aqui em causa é a utilização de armamento convencional ou nuclear, de forma limitada, em solo da NATO e da UE, e uma capitulação destes países perante a única saída que lhes for facultada pela Rússia; Guerra nuclear.
Atualmente a Ucrânia não mostra sinais de conseguir conquistar território perdido, enfrentando graves problemas de recursos humanos, nas suas fileiras. Em larga medida este já é um conflito congelado.
A Ameaça Nuclear Permanente
Ao mesmo tempo que a Rússia escala a retórica contra a Europa, e o volume de ataques à Ucrânia aumenta em quantidade e no grau de destruição, causando cada vez mais vitimas civis; Ao mesmo tempo que a China e a Rússia reforçam laços de cooperação militar, como a recente declaração conjunta dos 2 presidentes de 20 de maio de 2026; Um proeminente pensador Russo, consultor de ex-presidentes como Yeltsin e Gorbatchov, e do atual presidente Putin defende um aumento da ameaça nuclear Russa, utilizando armas nucleares em cidades Europeias.
A lógica apresentada por estes autores é clara; A expansão da NATO a partir de 1994, absorvendo antigos países da antiga União Soviética foi um erro.
Na sequência desse erro a Rússia cometeu, alguns erros políticos,e encontramo-nos atualmente numa situação onde para dar um sinal aos lideres ocidentais, de que a Rússia e os seus lideres são para ser levados a sério, é preciso a escalada para novos patamares, nomeadamente o nuclear, em cidades Europeias.
A Europa mais uma vez, como à 75 aos atrás, pode ser o palco de morte e destruição a níveis nunca vistos na história da Humanidade;
Nunca como agora é pedido aos seus cidadãos e principalmente aos seus lideres, que assumam as suas responsabilidades face à dimensão dos acontecimentos que se perfilham no horizonte; A eliminação das civilização Europeia.

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