Ao longo da vida, todos nós somos confrontados com situações de injustiça. Algumas atingem-nos diretamente; outras atingem pessoas à nossa volta. A diferença é a forma como optamos, ou não, reagir perante estes acontecimentos.
Pela minha própria experiência pessoal, existe uma tendência profundamente enraizada em Portugal, para o silêncio. Um silêncio cúmplice que se confunde muitas vezes com prudência, mas que não passa de medo. Medo de se expor, medo de destoar, medo de perder a aceitação do grupo. Este silencio, repetido ao longo de décadas, transforma-se numa forma de cumplicidade involuntária.
As vitimas passam a ser vitimas de alguma forma de exclusão ao mesmo tempo que os agressores formais, e os que o são por omissão, promovem e perpetuam este tipo de práticas.
Excluir, Segregar, Denegrir
Existe um contrato moral na nossa sociedade; Defender o que está moralmente correto. Somos todos, de alguma forma, chamados a responder porque vivemos numa sociedade democrática, onde as responsabilidades são partilhadas.
A democracia precisa de instituições fortes e credíveis; As injustiças projetam uma má imagem das instituições e dos seus representantes, enfraquecendo-a; Isto legitima o ódio e alimenta a revolta popular contra os seus lideres.
Problemas como a corrupção promovem práticas de clientelismo.
A manutenção do status quo, e a aceitação tácita e implícita deste sistema, contra o qual não ousamos ir, já que se isso se pode refletir em todo o tipo de benefícios, para os do que dela anseiam um dia participar.
Discursos do ódio contra grupos sociais ou políticos, agregam frustrações individuais, que ao generalizarem, promovem a injustiça. Numa época de comunicações digitais em tempo real, a facilidade com que se aponta o dedo, sem ter acesso a todos os acontecimentos, é uma forma de injustiça em si mesmo.
Os Erros Existem
Injustiças vão sempre acontecer, fazem parte da vida; Preocupante são os silêncios ruidosos, de quem se afasta, de quem se cala ou ainda de quem se esconde atrás de frases feitas. A normalização da indiferença e a falta de espinha dorsal em momentos decisivos, representam um problema.
A credibilidade das instituições e dos seus representantes fica posta em causa, quando optamos por olhar para o lado.
A integridade não é um ato grandioso, antes deve ser uma prática diária. É a capacidade de dizer “não” quando todos dizem “sim”. É a coragem de não alinhar com o grupo quando o grupo está errado. É a recusa de viver segundo a mediocridade moral dos outros.
Numa época de discursos fáceis e narrativas impactantes é fácil cair em injustiças, generalizando. É preciso não ceder a facilitismos e a bodes expiatórios que só colocam o nosso futuro coletivo em risco.

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